© 2013 rachel bonino manjuba

Manjuba

21 nov 2013

Esse peixinho miúdo fez parte da minha infância. Era uma brincadeira tirar a barriga e passá-lo na farinha de trigo para depois – nhac! – comer fritinho, com cabeça, rabo e tudo. Para minha surpresa, tem muito marmanjo que não pode pensar em comer o peixe inteiro. Pois saiba que quem come o peixe desta forma absorve mais ômega 3 do que quem come posta de salmão, que é só músculo, região que menos concentra o nutriente. Além disso, a manjuba pode ser pescada em todo o litoral brasileiro, não precisa importar nada do Chile… Críticas à parte, vamos às curiosidades deste peixinho.

Pela costa atlântica da América do Sul vivem muitas variedades que podem ser espécies apenas marinhas ou que  também vivem em água doce. A manjuba, a manjuba-savelha, a manjuba lombo-azul, a manjuba-perna-de-moça, entre tantas outras, são peixes que vivem em cardumes e variam, cada uma, de tamanho, coisa entre de 8 a 10 centímetros. Também é fácil identificá-las porque comumente trazem uma faixa prateada na lateral. São pescadas principalmente em locais que formam baías de água mais rasa.

A região entre as cidades de Iguape e de Cananeia, no litoral paulista, tem tradição centenária na pesca deste exemplar que é vendido fresco ou então seco, após passar por processo em que fica exposto ao sol e em cura de sal. Se comprar a versão seca, veja se apresenta manchas escuras ou avermelhadas, cheiro forte ou se está mole. Neste estado elas não estão boas. Já as frescas, basta ver se estão firmes porque checar as guelras vermelhas, uma a uma, pode enfurecer um feirante impaciente.

A manjuba é peixe barato, pescado o ano inteiro. Com exceção para os meses de dezembro e janeiro, período em que a extração é proibida em todo o Brasil pelo Ibama porque é o período de defeso, época de procriação.

Manjubinhas cevichadas do Suri Ceviche Bar

Manjubinhas cevichadas, receita do chef Dagoberto Torres, do Suri Ceviche Bar

Por seu tamanho diminuto, a manjuba só poderia virar aperitivo nas praias do litoral brasileiro. Quando a manjuba aparece em quantidade farta nos balcões do Ceagesp, o chef colombiano Dagoberto Torres, do restaurante Suri Ceviche Bar(SP), inclui no cardápio sua criação com peixe: manjubinhas cevichadas. Depois de bem limpos, sem cabeça e espinhos, os filés são empanados em farinha de milho e fritos em óleo quente. Mas a ideia aqui não é comer o peixe crocante, como é o hábito no Brasil. Depois que sai da frigideira, as manjubas recebem banho ácido de limão, pimenta dedo-de-moça, cebola, coentro e caldo feito a partir de aparas de corvina. O tempo até pegar gosto do molho é preciso: 4 minutos até chegar à mesa do cliente. Para acompanhar, maionese com chipotle, que é um tipo de pimenta seca mexicana. A fritura é a tática para  manter a umidade do peixe, conta Torres.

O resultado é um prato de sabor delicado, e um modo novo de apresentar as velhas e boas manjubinhas para quem só tinha na memória a versão apenas empanada. Gostei.

 

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