© 2013 rachel bonino abiu

Abiu

29 set 2013

No supermercado, sacolão ou centrais de abastecimento, o abiu (pronuncia-se abíu) pode passar desapercebido aos que estão ali apressados, querendo fazer apenas a compra da semana com frutas já mais do que batidas: maçã, mamão, pera, uva… Seu aspecto também não é lá muito sedutor: tamanho de um limão cravo, casca amarela lisa e… só.

Mas daí eu faço um pedido: dê uma chance ao abiu! Nativo da floresta amazônica, é fruta (Pouteria caimito) que surpreende. Daqueles sabores que a população de outras regiões do país, por conta de mil questões – comerciais, financeiras, culturais – não estão habituadas dada o monopólio de frutas que nem são daqui, mas que chegam aos supermercados. Daí eu penso como é incrível perceber que ainda existe um monte de sabores para se experimentar no próprio país. Para quem estiver a fim dessa empreitada, recomendo: comece pelo abiu!

Esta fruta tropical, inicialmente domesticada por índios do Alto Solimões, tem ganhado espaço nos quintais e mercados do sudeste e sul do País. Agora, setembro, é época de encontrá-la. Pode ser que a que você compre não seja tecnicamente brasileira – muito supermercados importam frutos dos abieiros da Colômbia – mas são amazônicos já que a floresta não respeita as fronteiras.

Ao partir um abiu, seja ligeiro na comilança. O contato com o ar faz com que ele oxide rapidamente (veja na foto aí em cima que as laterais começaram a ficar amarronzadas. Tive de correr para fazer a foto!). A polpa é esbranquiçada, meio transparente e gelatinosa. É doce e nada ácida. Lembra a “carne” do coco verde, misturada com sabor de melão. Eu cortei em gomos e comi a polpa raspando nos dentes. Mas tem gente que prefere cortar a fruta ao meio, tirar as sementes e comer com a ajuda de uma colher. Deve ficar bem interessante como suco.

Quando está um pouco verde, o abiu partido solta uma baba que parece uma cola. Daí a origem de uma expressão do norte de que “o fulano comeu abiu” para classificar quem está muito caladão ou que não quer revelar nenhum segredo.

*Esta dica de post foi dada pela Patrícia Fioravanti. Quer saber mais sobre algum outro ingrediente? Escreve pro Sacola!

Referência:
CAVALCANTE, P. B. Frutas comestíveis na Amazônia. 7. edição. Belém: Museu Paraense Emilio Goeldi, 2010.

 

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