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Feijão manteiguinha

04 set 2013

Grãos de cor creme, lisos e muito miúdos são as características mais graciosas do feijão manteiguinha. Conheci esta variedade de feijão caupi em minha passagem por Belém (PA). Comprei 1 quilo da iguaria oriunda da cidade da Santarém, cidade produtora deste grão na região Norte.

Intrigada com o manteiguinha, fui estudar. Descobri que, no Brasil, o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) classifica apenas duas espécies como feijão: o comum e o caupi. O primeiro inclui aqueles que formam caldo, e com produção mais concentrada no Sul do país. Já o caupi – incluído aí o manteiguinha – são os que não formam caldo e cujo plantio é mais comum no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. São primos da variedade paraense o fradinho, o andú, o branco e mulatinho.

Mais por que o manteiguinha é mais consumido principalmente no Norte, e pouca gente o conhece no Sul? De tão pequeno que é seu grão, a produção fica mais voltada para o consumo regional. O livro Feijão-caupi no Brasil, de Francisco Rodrigo Freire Filho, me ajuda a explicar: mercados interno e externo têm preferência variadas quanto ao tamanho do grão. Enquanto o gosto (de quem vende e de quem compra) na maior parte do país, e também fora dele, é pelo peso de 25g por 100 grãos, ou seja, por feijões com grãos maiores; no Pará, o manteiguinha fica na média de 10g por 100 grãos. A sua miudeza faz com que ele não seja tão interessante para o grande mercado, e assim sua produção fica mais concentrada apenas nas mãos de pequenos produtores que vendem para o mercado local.

Sem o apelo comercial que exige o varejo, o manteiguinha então fica restrito ao prato do paraense. Sorte a deles! Rico em ferro e zinco, pode ser cozido e acompanhado de cebola e tomate picados para virar salada do dia a dia. Ou então um purê de textura bem delicada.

O período de colheita é em dezembro, mas é possível encontrá-lo em qualquer época do ano se for bem estocado. O meu, comprado em julho, saiu caro: R$ 10 o quilo. E olha que ainda estava meio enrugado. Oxalá, não comprometeu o sabor.

 

Referência:
FILHO, F. R. F. Feijão-caupi no Brasil. Produção, melhoramento genético, avanços e desafios. Teresina: Embrapa Meio-Norte, 2011.

 

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